quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Em tempo de eleições recordo mais "um sonhador" : José Afonso
Algumas notas biográficas
Foi criado pela tia Gé e pelo tio Xico, numa casa situada no Largo das Cinco Bicas, em Aveiro, até aos 3 anos (1932), altura em que foi viver com os pais e irmãos, que estavam em Angola havia 2 anos.
A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, os grandes rios atravessados em jangadas, a floresta esconderam-lhe a realidade colonial. Só anos mais tarde saberá o quão amarga é essa sociedade, moldada por influências do apartheid.
Em 1937, volta para Aveiro onde é recebido por tias do lado materno, mas parte no mesmo ano para Moçambique, onde se reencontra com os pais e irmãos em Lourenço Marques (agora Maputo), com quem viverá pela última vez até 1938, data em que vai viver com o tio Filomeno, em Belmonte.
O tio Filomeno era, na altura, presidente da câmara de Belmonte. Lá, completou a instrução primária e viveu o ambiente mais profundo do Salazarismo, de que seu tio era fervoso admirador. Ele era pró-franquista e pró-hitleriano e levou-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. «Foi o ano mais desgraçado da minha vida», confidenciou Zeca.
Zeca Afonso vai para Coimbra em 1940 e começa a cantar por volta do quinto ano no Liceu D. João III. Os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. Inicia-se em serenatas e canta em «festarolas de aldeia». O fado de Coimbra, lírico e tradicional, era principalmente interpretado por si.
José Afonso retratado por Henrique Matos
Os meios sociais miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo, inspiraram-lhe para a sua balada «Menino do Bairro Negro». Em 1958, José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra". Grava também, mais tarde, "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa" (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira) se torna um dos símbolos de resistência antifascista da época. Foi neste período (1958-1959) professor de Francês e de História na Escola Comercial e Industrial de Alcobaça.
Em 1964, parte novamente para Moçambique, onde foi professor de Liceu, desenvolvendo uma intensa actividade anticolonialista o que lhe começa a causar problemas com a polícia política pela qual será, mais tarde, detido várias vezes.
Quando regressa a Portugal, é colocado como professor em Setúbal, mas, devido ao seu activismo contra o regime, é expulso do ensino e, para sobreviver, dá explicações e grava o seu primeiro álbum, "Baladas e Canções".
Entre 1967 e 1970, Zeca Afonso torna-se um símbolo da resistência democrática. mantém contactos com a LUAR (Liga Unitária de Acção Revolucionária) e o PCP o que lhe custará várias detenções pela PIDE. Continua a cantar e participa, em 1969, no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat", em Paris e grava também o LP "Cantares do Andarilho", recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa[2] em virtude de ser alvo de censura.
Em 1971, edita "Cantigas do Maio", no qual surge "Grândola Vila Morena", que será mais tarde imortalizada como um dos símbolos da revolução de Abril. Zeca participa em vários festivais, sendo também publicado um livro sobre ele e lança o LP "Eu vou ser como a toupeira". Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava o álbum "Venham mais cinco".
Após a Revolução dos Cravos continua a cantar, grava o LP "Coro dos tribunais" e participa em numerosos "cantos livres". A sua intervenção política não pára, tornou-se um admirador do período do PREC e em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na sua candidatura à presidência da república.
Os seus últimos espectáculos decorreram no Coliseu de Lisboa e do Porto, em 1983, quando Zeca Afonso já se encontrava doente. No final desse mesmo ano, é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa.[3]
Em 1985 é editado o seu último álbum de originais, "Galinhas do Mato", em que, devido ao avançado estado da doença, José Afonso não consegue cantar na totalidade. Devido a isso, o álbum foi completado por: José Mário Branco,Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já em fase terminal da sua doença, apoia a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo à presidência da república.
José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Será certamente recordado como um resistente que conseguiu trazer a palavra de protesto contra o regime do Estado Novo e depois contra a própria revolução de Abril que acabaria por enveredar por outros caminhos mas também a música popular portuguesa e também pelas suas outras músicas, de que são exemplo as suas baladas.
Em 1994 é feita um CD duplo em homenagem a José Afonso a que se chamou "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso"[4]. No fim de Junho seguinte, muitas das bandas portuguesas que integraram o projecto, participaram num concerto que teve lugar no então Estádio José de Alvalade, antecessor do actual Estádio Alvalade XXI.
Em 24 de Abril de 1994 a CeDeCe-Companhia de Dança Contemporanea, estreia no Teatro S. Luiz em Lisboa o Bailado Dançar Zeca Afonso com música de José Afonso e coreografia de António Rodrigues, uma encomenda Lisboa94-Capital Europeia da Cultura.
Letra da música
Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também
Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também
Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
Trás Outro Amigo Também
José Afonso
Composição: José Afonso
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
FREUD - "O SONHADOR"
O pai da psicanálise
O homem que levava os sonhos a sério
HUGO COELHO (D.N.)
Sigmund Freud morreu na cama drogado e a sonhar dia 23 de Setembro de 1939. Judeu, refugiara-se em Londres do nazismo alemão "para morrer em liberdade" e rendeu-se ao cancro quando viu começar a II Guerra Mundial. Setenta anos depois, o médico que sentava os doentes no divã para lhes ouvir os segredos continua a dar que pensar
No primeiro dia de Setembro de 1939, quando o mundo entrou na II Guerra Mundial, Sigmund Freud estava em Londres às portas da morte. O velho cientista atacado pelo cancro ouviu pela rádio a notícia da invasão nazi da Polónia e o jornalista proclamar o início da "última de todas as guerras". Freud corrigiu, amargo, o erro: "Da minha última guerra." Três semanas depois, a 23 de Setembro - faz hoje 70 anos -, o médico que abriu a janela sobre o inconsciente morreu na cama, drogado e a sonhar.
O pai da psicanálise refugiara-se na capital inglesa um ano e meio antes. Depois da Alemanha de Hitler ter ocupado a Áustria, o judeu, então com 83 anos, deixou para trás o seu célebre consultório em Viena com a mulher, Marta, e a filha preferida, Ana, para "morrer em liberdade".
Freud era um ateu obcecado com morte. Além de acreditar que aquela serviu de pretexto à invenção da religião, ele encarava o fim da vida como missão digna de admiração.
Essa ideia, junto com a de que os seres humanos são dominados pelo desejo sexual, foi uma das que levaram muitos a considerá-lo um louco. Mas isso não era coisa que o pudesse deixar preocupado.
Freud nasceu em 1856 numa família judaica da Morávia e desde cedo sentiu-se um prodígio. Os pais achavam-no melhor que os irmãos e deram-lhe um quarto só para ele. Ele não desapontou. Em 1873, entrou na Universidade de Viena para estudar medicina. Não estava interessado em curar pessoas mas em compreender os mistérios da natureza - curiosidade que o levou às fronteiras da mente.
Freud criou a psicanálise quando já tinha 40 anos. Mas desde muito antes disso começou a levar os sonhos a sério. O austríaco que deitava os doentes no divã para lhes interpretar os desejos mais secretos acreditava que os sonhos - como antes a hipnose - abriam a porta do inconsciente - a parte submersa da mente, na metáfora do icebergue.
Hoje, como no seu tempo, Freud é amado por uns e desprezado por outros. Mas a sua influência é indiscutível, e ele sabia-o. Em 1909 quando desembarcou em Nova Iorque na primeira viagem aos EUA, disse ao colega Carl Jung: "Eles não sabem, mas estão a trazer a peste."
sábado, 19 de setembro de 2009
POEMA DO MENINO JESUS - Fernando Pessoa
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas -Um velho chamado José,
que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -"Se é que ele as criou, do que duvido."
-"Ele diz por exemplo,
que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.
"
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança,
o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som,
seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é
.... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?
Alberto Caeiro
domingo, 23 de agosto de 2009
AGORA EU SEI QUE NUNCA SE SABE
Tempo de pensar, analisar...
Penso... Penso...
Analiso... Analiso...
Conclusão: Continuo sem nada saber.
Isa Magalhães
Jean Gabin
EU SEI (JE SAIS) – Jean Gabin
Quando era garoto com 3 palmos de altura
falava muito alto, para ser um homem
E dizia: EU SEI, EU SEI, EU SEI, EU SEI
Era o começo. Era a Primavera.
Mas quando tinha os meus 18 anos
Eu disse: EU SEI, estou certo. Desta vez, EU SEI
E hoje, quando olho para trás
Vejo a Terra onde dei mais de 100 passos
E continuo sem saber como ela roda.
Aos 25 anos, eu conhecia tudo: o amor, as rosas, a vida, as moedas.
Ah! Sim! O amor. Tinha feito a volta completa.
E felizmente, como os companheiros, ainda não tinha comido todo o meu pão.
A meio da minha vida ainda aprendi
E o que aprendi resume-se a 3 ou 4 palavras:
“O dia em que alguém te amar será um dia lindo
Não sei dizê-lo melhor, será um dia LINDO”.
O que ainda me surpreende na vida
A mim que estou no Outono da minha vida:
É que esquecemos tantas noites de tristeza
Mas nunca uma manhã de ternura
Em toda a minha juventude dizia: EU SEI
Só que, quanto mais procurava, menos conhecia.
Sessenta badaladas soaram no meu relógio
Eu ainda estou à minha janela e questiono-me:
Agora EU SEI, SEI QUE NUNCA SABEREI
A vida, o amor, o dinheiro, os amigos e as rosas
Nunca conhecerei o som nem as cores das coisas
Isso é tudo o que SEI!
Mas isso, EU SEI…!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Nunca desista dos seus sonhos - Augusto Cury
Li há pouco tempo o livro de Augusto Cury "Nunca desista dos seus sonhos". Este não é um romance, apesar de o parecer...
A. Cury, apesar de cientista, tem o dom da poesia, da palavra. Ele dialoga connosco. Faz perguntas, convida-nos a pensar e repensar a nossa vida, tornando-nos assim, cumplices e protagonistas do livro.
Fiz um resumo do livro (exercicio que gosto de fazer). Espero que gostem.
É psiquiatra, cientista e escritor de vários “best sellers”.
Como cientista notabilizou-se por ter escrito uma das mais inovadoras obras sobre a Inteligência humana – A Inteligência Multifocal na qual descreve o funcionamento da mente e o processo de construção do pensamento.
Neste livro aborda a capacidade de sonhar, revelando quão fundamental ela é para a realização dos nossos projectos de vida.
Explica-nos que é a enorme complexidade da mente humana que nos leva a transformar uma borboleta num dinossauro e “ensina-nos” como tratar as nossas feridas, como resolver os nossos monstros secretos.
Diz-nos que são os sonhos, a motivação e o desejo de sermos livres que nos ajudam a superar e a vencer esses monstros.
Para além da sua própria vida, analisa a trajectória de 3 grandes sonhadores:
- Jesus Cristo;
- Abraham Lincoln;
- Martin Luther King.
Comecemos pelo maior de todos eles:
Jesus Cristo foi, sem dúvida, o maior vendedor de sonhos que a humanidade conheceu. O Mestre conseguiu aquilo que ninguém jamais havia conseguido. Sem nenhum acto sobrenatural, Ele consegue com a sua voz vender algo invendável: Os sonhos.
Com a sua autoconfiança e ousadia, vendia o sonho de um reino justo, da liberdade – sem esta o ser humano deprime, asfixia.
Vendia o sonho da eternidade, ele tinha plena consciência das consequências filosóficas, psicológicas e biológicas da morte.
Vendia o sonho da felicidade. Pois para ser feliz, do ponto de vista da psicologia, não é ter uma vida perfeita, mas saber extrair sabedoria dos erros, alegria das dores e coragem nos fracassos.
Ele disse a todos que o ouviam que se tivessem sede emocional bebessem a sua felicidade, quem fosse ansioso bebesse da sua paz.
Cristo investiu a sua inteligência em pessoas complicadíssimas. Investiu nelas, enquadrando-as, cativando-as, ensinando-as a pensar e a plantar sementes .
Abraham Lincoln foi, segundo Augusto Cury, um sonhador que coleccionava derrotas. Vejamos porquê.
Ele era filho de lavradores, logo, não tinha privilégios sociais. Mas tinha uma característica dos vencedores: reclamava pouco, canalizando assim, a sua energia para criar oportunidades.
Perdeu a mãe com 9 anos. Viveu muito só. Mas como tinha uma enorme capacidade de viajar através dos livros, esta levava-o para lugares longínquos.
Era um grande sonhador: sonhou ganhar dinheiro, ter prestígio social e uma vida tranquila.
Mas falhou no negócio enfrentando assim o drama da derrota muito cedo.
No entanto, aprendeu a não ser controlado pelos fracassos – apesar de desanimado, não se deixa vencer.
Era um homem esperançoso – a esperança é o fôlego da vida, o nutriente essencial da emoção .
Então começou de novo…
Candidatou-se a um cargo público e foi derrotado… Mesmo assim não desiste e finalmente é eleito deputado.
Mas, no ano seguinte, morre a sua noiva, cuja morte lhe roubou a alegria e produziu janelas Killers na sua memória. Estas são zonas de conflito intenso cravadas no inconsciente que bloqueiam o prazer e a inteligência. Elas surgem no decurso de perdas dramáticas, frustrações intensas e angústias que não são superadas.
Sempre que perdemos o controlo das nossas reacções somos vitimas dessas janelas, agimos por instinto e não como homo sapiens.
Segundo A. Cury, "sábio é aquele que tem coragem de identificar as suas loucuras, procurando superá-las. Não esconde a sua irracionalidade, trata-a".
Abraham Lincoln teve uma crise depressiva. No entanto, estava consciente que: ou as perdas o destruíam ou o construíam.
Assim, ergueu-se de novo. Dedica-se novamente à politica. Candidata-se inúmeras vezes somando derrota após derrota.
Estas fizeram dele um ser humano de raríssimo valor. Encontrou grandeza na sua pequenez. Limpou o suor do rosto e continuou a correr atrás do seu projecto de vida.
Apesar de lhe chamarem o “Sr. Fracasso” decide candidatar-se à presidência.
Resultado: foi eleito o 16º Presidente dos E.U.A., tornando-se um dos mais importantes políticos da história:
- Emancipou os escravos do seu país e foi um poeta da democracia e dos direitos humanos.
Assim, podemos concluir que o destino não está programado. É uma questão de escolha.
Esta é a trajectória fantástica de um sonhador, que extraiu coragem dos seus fracassos, sabedoria e sensibilidade das suas perdas.
Martin Luther King doutorou-se em filosofia muito jovem. Era culto, arrojado e determinado.
Ele ia além da fina camada de cor da sua pele negra e não compreendia porque razão os brancos se diferenciavam dos negros. Podem as cores zombarem umas das outras e dizerem “eu sou superior”?
Nos seus discursos empunhava uma bandeira branca e invisível revelando que os fortes amam e integram, os fracos odeiam e discriminam.
Os movimentos que lidera começam a fazer eco social: o Supremo Tribunal dos E.U.A. aboliu, em Dezembro de 1956, a segregação nos autocarros.
Dirigiu uma marcha com 250.000 pessoas e proferiu um discurso em que falava do seu sonho de ver brancos e negros juntos. Dessa marcha resultaram a Lei dos Direitos Civis e a Lei dos Direitos de Voto.
A desesperada luta pelos direitos humanos torna-se um perfume que contagiava poetas, estimulava pensadores e conquistava outras nações.
Reconhecimento: Recebe o Prémio Nobel da Paz.
O mundo precisa de pessoas que leiam, desenvolvam a arte de pensar e sonhar com uma humanidade melhor.
Façamos como Fernando Pessoa (poeta português) : transformemos as vicissitudes das nossas vidas. “Coleccionemos todas as pedras que encontrarmos no caminho para construir um castelo com elas”.
Isa Magalhães
Frases de Augusto Cury
sábado, 8 de agosto de 2009
Homenagem a Raul Solnado
Morreu o actor Raul Solnado
O actor Raul Solnado morreu hoje às 10h50, aos 79 anos, na sequência da evolução de um quadro clínico Cardio-Vascular grave, informou a Direcção Clinica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O velório do humorista realiza-se hoje, a partir das 21h00 no Palácio das Galveias, em Lisboa e o funeral parte amanhã, às 18h00, para o cemitério dos Olivais. A cerimónia de cremação está marcada para as 20h00.Raul Augusto de Almeida Solnado nasceu em Lisboa a 19 de Outubro de 1929. Entrou no mundo do teatro em 1947, enquanto actor amador, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul.Mais tarde, em 1952, profissionalizou-se e começou a construir uma carreira como artista de variedades e teatral, não pondo de lado a sua via humorística na rádio e na música.Em 1960 adapta para português um sketch do espanhol Miguel Gila - "A Guerra de 1908" - e, em Outubro de 1961, interpreta-o na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória. A edição em disco deste sketch, juntamente com outro muito popular - "A história da minha vida", bate todos os recordes de vendas.A sua passagem pela televisão ficou marcada pelos programas "Zip Zip", "A Visita da Cornélia" ou ainda "O Resto São Cantigas".A RTP preparava o regresso do actor e humorista à televisão, num programa ao lado de Bruno Nogueira, sobre 50 anos de humor em Portugal.Pelo seu contributo, Raul Solnado recebeu, a 10 de Junho de 2004, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.Até à sua morte foi director da Casa do Artista, em Lisboa, instituição que fundou em 1999 juntamente com outros actores.
08.08.2009 - 13h01 PÚBLICO
A guerra do Solnado
A História da minha vida
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
JARDIM DO RIO - Almada
Fado de Lisboa
No castelo, ponho um cotovelo
Em Alfama, descanso o olhar
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
A almofada, na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são as colinas, varina
Pregão que me traz à porta, ternura
Cidade a ponto luz bordada
Toalha à beira mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa no meu amor, deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida
Lisboa Menina e Moça
Composição: Ary dos Santos e Paulo de Carvalho
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta...
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
à parte isso,
tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio?
Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho genios como eu,
E a história não marcará, quem sabe? Nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas - E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim?
Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos
invoco a mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira.
Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe adeus ó Esteves!,
e o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança,
e o dono da Tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos
Preciso de dizer isto a Fernando Pessoa (talvez ele leia o meu blog...): os versos, a poesia que escreveu nunca serão inuteis!!!!!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
UM FADO DE PESSOA
Um fado pessoano
Num bairro de Lisboa
Um poema lusitano
No dizer de Camões
Uma gaivota em terra
Um sujeito predicado
Um porto esquecido
Um barco ancorado
Leva-as o vento
Meras palavras
Guarda no peito
A ingenuidade
Figura de estilo
Tua voz na proa
De um verso já gasto
No olhar de Pessoa
Uma frase perfeita
E um beijo prolongado
Uma porta aberta
Traz odor a pecado
Uma guitarra com garra
Ouvida entre os umbrais
Numa cidade garrida com vista para o cais
Leva-as o vento
Meras palavras
Guarda no peito
A ingenuidade
Figura de estilo
Tua voz na proa
De um verso já gasto
No olhar de Pessoa
Leva-as o vento...
Cantado por Ana Moura
terça-feira, 21 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
Este Domingo vamos ouvir Martinho da Vila. Vamos nessa???
Já tive mulheres
De todas as cores
De várias idades
De muitos amores
Com umas até
Certo tempo fiquei
Prá outras apenas
Um pouco me dei...
Já tive mulheres
Do tipo atrevida
Do tipo acanhada
Do tipo vivida
Casada carente
Solteira feliz
Já tive donzela
E até meretriz...
Mulheres cabeça
E desequilibradas
Mulheres confusas
De guerra e de paz
Mas nenhuma delas
Me fez tão feliz
Como você me faz...
Procurei
Em todas as mulheres
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na saudade
Foi começando bem
Mas tudo teve um fim...
Você é
O sol da minha vida
A minha vontade
Você não é mentira
Você é verdade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...
Já tive mulheres
De todas as cores
De várias idades
De muitos amores
Com umas até
Certo tempo fiquei
Prá outras apenas
Um pouco me dei...
Já tive mulheres
Do tipo atrevida
Do tipo acanhada
Do tipo vivida
Casada carente
Solteira feliz
Já tive donzela
E até meretriz...
Mulheres
desequilibradas
Mulheres confusas
De guerra e de paz
Mas nenhuma delas
Me fez tão feliz
Como você me faz...
Procurei
Em todas as mulheres
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na saudade
Foi começando bem
Mas tudo teve um fim...
Você é
O sol da minha vida
A minha vontade
Você não é mentira
Você é verdade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...
Procurei
Em todas as mulheres
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na saudade
Foi começando bem
Mas tudo teve um fim...
Você é
O sol da minha vida
A minha vontade
Você não é mentira
Você é verdade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...











