segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

BOM DIA FUTURO

HOJE ESGOTEI AS CAIXAS DA LOJA MAIS PERTO. GUARDEI NELAS O PASSADO E, ASSIM MESMO, SEM RÓTULOS, COLOQUEI-AS NO MEU PEDAÇO DE ETERNIDADE ( = sótão, etc.).

DEIXEI UMA VAZIA E COLOQUEI-LHE UMA ETIQUETA: BOM DIA FUTURO!


Isa Magalhães
28 de Dezembro 2009

EU... NÃO...!

Eu aprendi…

…que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto;

…que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e jamais conseguirei convencê-las;

…que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.
Eu aprendi…


…que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando;

…que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida;

…que por mais que você corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi…

…que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser e devo ter paciência;

…que posso ir além dos limites que eu próprio me coloquei;

…que eu preciso escolher entre controlar meu pensamento ou ser controlado por ele.
Eu aprendi…


…que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem;

…que perdoar exige muita prática;

…que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.
Eu aprendi…


…que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar minha vida;

Eu aprendi…

…que eu posso ficar furioso, tendo o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Eu aprendi…


…que a palavra “AMOR” perde o sentido, quando usada sem critério;

…que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;

…que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas que eu acredito.

Se aprendessemos algumas coisas, tudo seria mais fácil…certas coisas realmente eu já aprendi…outras…ainda não…estou tentando…o que vale é a intenção...

William shakespeare

domingo, 27 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009




I don’t know where to find you
I don’t know how to reach you
I hear your voice in the wind
I feel you under my skin
Whithin my heart and my soul
I wait for you
Adagio

All of these nights without you
All of my dreams surround you
I see and I touch your face
I fall into your embrace
When the time is right, I know
You'll be in my arms
Adagio

I close my eyes and I find a way
No need for me to pray
I’ve walked so far
I've fought so hard
Nothing more to explain
I know all that remains
Is a piano that plays

If you know where to find me
If you know how to reach me
Before this light fades away
Before I run out of faith
Be the only man to say
That you'll hear my heart
That you'll give your life
Forever you'll stay

Don't let this light fade away
No No No No No
Don't let me run out of faith
Be the only man to say
That you believe,
Make me believe
You won't let go
Adagio

domingo, 6 de dezembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

terça-feira, 27 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Sim.... muito suavemente...



LETRA DA MÚSICA

Desafiando minha dor com os seus dedos
Cantando minha vida com suas letras
Me matando suavemente com a sua música
Contando minha vida inteira
Com suas palavras me matando suavemente com a sua música

Eu ouvi dizer que ele cantava boas músicas
E ouvi dizer que ele tem estilo
E então eu vim para vê-lo e ouvi-lo por um tempo
E lá estava ele, esse jovem garoto
Um estranho aos meus olhos
Desafinando minha dor com seus dedos
Cantando minha vida com suas letras
Me matando suavemente com a sua música

Me matando suavemente com a sua música
Contando minha vida inteira
Com as suas palavras, me matando suavemente com a sua música

Me senti toda ruborizada, com febre
Envergonhada pela multidão
E orei para que ele estivesse acabando
Mas ele simplesmente continuou
Desafinando minha dor com seus dedos
Cantando minha vida com suas letras
Me matando suavemente com a sua música
Me matando suavemente com a sua música
Contando minha vida inteira
Com suas palavras
Me matando suavemente com a sua música

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PARA TODOS OS POETAS

É bom lembrar mais vozes, pois Lisboa

Cidade com poético fadário

Cabe toda num verso de Cesário

E alguma, em ironias de Pessoa

Para cada gaivota, há um do O'Neil

Para cada paixão, um do David

E há Pedro Homem de Melo, que divide

Entre Alfama e Cabanas, seu perfil

E há também o Ary e muitos mais

Entre eles, o Camões e o Tolentino

Ou tomando por fado, o seu destino

Ou dando de seu riso, alguns sinais

Muito do que escreveram e se canta

Na música de fado que já tinha

O próprio som do verso, vem asinha

Assim do coração para a garganta

Que bom seria, tê-los a uma mesa

De café, comparando as emoções

E a descobrirem novas relações

Entre o fado e a língua portuguesa

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

" Abram as janelas... deixem-nos respirar...!!!




«Ultimatum» de Álvaro de Campos

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.


Fora tu,

Anatole-France,

Epicuro de farmacopeia-homeopática,

ténia-Jaurès do
Ancien-Régime,

salada de Renan-Flaubert

em louça do século dezassete,
falsificada!


Fora tu, Maurice-Barrès, feminista da Acção,

Chateaubriand de paredes nuas,
alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos
outros, vestindo do seu comércio!


Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de
tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os
mandamentos da lei da Igreja!


Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas,
épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da
baixa imortalidade!


Fora! Fora!


Fora tu, George-Bernard-Shaw, vegetariano do paradoxo, charlatão da sinceridade,
tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de
ti próprio, Irish-Melody calvinista com letra da Origem-das-Espécies!


Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da
Complexidade!


Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de
cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão
influindo na limpeza dos raciocínios!


Fora tu, Yeats da céltica-bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres
que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!


Fora! Fora!


Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em
Pathmos» (solo de trombone)!


E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!


E tu Loti, sopa salgada fria!


E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!


Fora! Fora! Fora!


E se houver outros que faltem, procurem-nos por aí pra um canto!


Tirem isso tudo da minha frente!


Fora com isso tudo! Fora!


Ai! que fazes tu na celebridade, Guilherme-Segundo da Alemanha, canhoto maneta
do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume?!


Quem és tu, tu da juba socialista, David-Lloyd-George, bobo de barrete frígio feito
de Union Jacks?!


E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para
baixo?


E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato. Boselli da incompetência
ante os factos todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da
guerra!

Todos! todos! todos!

Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem
intelectual!


E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados para
baixo à porta da Insuficiência da Época!


Tirem isso tudo da minha frente!


Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!


Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!


Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!


Senão querem sair, fiquem e lavem-se.

sábado, 3 de outubro de 2009

ÀS VEZES SOU O TEMPO QUE TARDA EM PASSAR...

"Às vezes é no meio do silêncio que descubro as palavras por dizer.
É uma pedra, ou é um grito de um amor (ou qualquer outra coisa...) por acontecer...!"

Hoje é um desses dias... Nunca vos aconteceu ???

Se a resposta for não.... então... não existem...já morreram... !
(aconselho então a mudarem de página...).

Para os que consideram que sim...
Oiçam e soboreiem esta bela música, este belíssimo poema e tenham um fim -de- semana repleto de sons, silencios e amor ...

Isa Magalhães



Silêncio e Tanta Gente

Letra da música

Às vezes é no meio do silêncio

Que descubro o amor em teu olhar

É uma pedra

É um grito

Que nasce em qualquer lugar

À vezes é no meio de tanta gente

Que descubro afinal p'ra onde vou

E esta pedra

E este grito

São a história d'aquilo que eu sou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar

E aquilo em que ninguém quer acreditar


Às vezes sou também

Um sim alegre

Ou um triste não

E troco a minha vida por um dia de ilusão

E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio

Que descubro as palavras por dizer

É uma pedra

Ou é um grito

De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente

Que descubro afinal p'ra onde vou

E esta pedra

E este grito

São a história d'aquilo que sou

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Bora" lá todos a cantar. Vamos nessa ??



*Without You - (Harry Nilsson)

Letra da música

I can´t live, if living is without you

I can´t live

I can´t give anymore

No, I can't forget this evening

Or your face as you were leaving

But I guess that's just the way the story goes

You always smile but in your eyes your sorrow shows

Yes, it shows

No, I can't forget tomorrow

When I think of all my sorrow

When I had you there but then

I let you go

And now it's only fair that I should let you know

What you should know

I can't live if living is without you

I can't give, I can't give any more

I can't live if living is without you

I can't give, I can't give any more

No, I can't forget this evening

Or your face as you were leaving

But I guess that's just the way the story goes

You always smile but in your eyes your sorrow shows

Yes, it shows

Yes, it shows

I can't live if living is without you

I can't live,

I can't give anymore

I can't live if living is without you

I can't live,

I can't give anymore

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

X X X PROCURA-SE "AMANTE"

Um amigo meu, enviou-me hoje este pequeno texto.
Quero partilhá-lo covosco.
Espero que gostem e, já agora: PROCUREM O VOSSO AMANTE


Muitas pessoas têm um amante, e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam. Geralmente são estas últimas que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insónia, apatia, pessimismo, crises de choro, ou as mais diversas dores.

Elas contam-me que as suas vidas correm de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar o tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente a perder a esperança. Antes de me contarem tudo isto, já tinham estado noutros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão"... além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa destas?!".

Há também as que, chocadas e escandalizadas, despedem-se e não voltam nunca mais. Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte: Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso Amante é o que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido...
Enfim, Amante é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"?

"Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é o deixarmo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um amante, sejam também um amante e um protagonista da vossa vida...
Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um amante.

A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
"Para se estar satisfeito, activo, e sentirem-se jovens e felizes, é preciso namorar a vida".


Texto: Dr. Jorge Bucay
Livro: "Hay que buscarse un Amante"


don't forget the little things : )


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009

Em tempo de eleições recordo mais "um sonhador" : José Afonso


Algumas notas biográficas

Foi criado pela tia Gé e pelo tio Xico, numa casa situada no Largo das Cinco Bicas, em Aveiro, até aos 3 anos (1932), altura em que foi viver com os pais e irmãos, que estavam em Angola havia 2 anos.

A relação física com a natureza causou-lhe uma profunda ligação ao continente africano que se reflectirá pela sua vida fora. As trovoadas, os grandes rios atravessados em jangadas, a floresta esconderam-lhe a realidade colonial. Só anos mais tarde saberá o quão amarga é essa sociedade, moldada por influências do apartheid.

Em 1937, volta para Aveiro onde é recebido por tias do lado materno, mas parte no mesmo ano para Moçambique, onde se reencontra com os pais e irmãos em Lourenço Marques (agora Maputo), com quem viverá pela última vez até 1938, data em que vai viver com o tio Filomeno, em Belmonte.
O tio Filomeno era, na altura, presidente da câmara de Belmonte. Lá, completou a instrução primária e viveu o ambiente mais profundo do
Salazarismo, de que seu tio era fervoso admirador. Ele era pró-franquista e pró-hitleriano e levou-o a envergar a farda da Mocidade Portuguesa. «Foi o ano mais desgraçado da minha vida», confidenciou Zeca.

Zeca Afonso vai para Coimbra em 1940 e começa a cantar por volta do quinto ano no Liceu D. João III. Os tradicionalistas reconheciam-no como um bicho que canta bem. Inicia-se em serenatas e canta em «festarolas de aldeia». O fado de Coimbra, lírico e tradicional, era principalmente interpretado por si.

José Afonso retratado por Henrique Matos
Os meios sociais miseráveis do
Porto, no Bairro do Barredo, inspiraram-lhe para a sua balada «Menino do Bairro Negro». Em 1958, José Afonso grava o seu primeiro disco "Baladas de Coimbra". Grava também, mais tarde, "Os Vampiros" que, juntamente com "Trova do Vento que Passa" (um poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano Correia de Oliveira) se torna um dos símbolos de resistência antifascista da época. Foi neste período (1958-1959) professor de Francês e de História na Escola Comercial e Industrial de Alcobaça.

Em 1964, parte novamente para Moçambique, onde foi professor de Liceu, desenvolvendo uma intensa actividade anticolonialista o que lhe começa a causar problemas com a polícia política pela qual será, mais tarde, detido várias vezes.

Quando regressa a Portugal, é colocado como professor em Setúbal, mas, devido ao seu activismo contra o regime, é expulso do ensino e, para sobreviver, dá explicações e grava o seu primeiro álbum, "Baladas e Canções".

Entre 1967 e 1970, Zeca Afonso torna-se um símbolo da resistência democrática. mantém contactos com a LUAR (Liga Unitária de Acção Revolucionária) e o PCP o que lhe custará várias detenções pela PIDE. Continua a cantar e participa, em 1969, no 1º Encontro da "Chanson Portugaise de Combat", em Paris e grava também o LP "Cantares do Andarilho", recebendo o prémio da Casa da Imprensa pelo melhor disco do ano, e o prémio da melhor interpretação. Zeca Afonso passa a ser tratado nos jornais pelo anagrama Esoj Osnofa[2] em virtude de ser alvo de censura.

Em 1971, edita "Cantigas do Maio", no qual surge "Grândola Vila Morena", que será mais tarde imortalizada como um dos símbolos da revolução de Abril. Zeca participa em vários festivais, sendo também publicado um livro sobre ele e lança o LP "Eu vou ser como a toupeira". Em 1973 canta no III Congresso da Oposição Democrática e grava o álbum "Venham mais cinco".
Após a
Revolução dos Cravos continua a cantar, grava o LP "Coro dos tribunais" e participa em numerosos "cantos livres". A sua intervenção política não pára, tornou-se um admirador do período do PREC e em 1976 apoia Otelo Saraiva de Carvalho na sua candidatura à presidência da república.

Os seus últimos espectáculos decorreram no Coliseu de Lisboa e do Porto, em 1983, quando Zeca Afonso já se encontrava doente. No final desse mesmo ano, é-lhe atribuída a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusa.[3]

Em 1985 é editado o seu último álbum de originais, "Galinhas do Mato", em que, devido ao avançado estado da doença, José Afonso não consegue cantar na totalidade. Devido a isso, o álbum foi completado por: José Mário Branco,Helena Vieira, Fausto e Luís Represas. Em 1986, já em fase terminal da sua doença, apoia a candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo à presidência da república.

José Afonso morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, às 3 horas da madrugada, vítima de esclerose lateral amiotrófica. Será certamente recordado como um resistente que conseguiu trazer a palavra de protesto contra o regime do Estado Novo e depois contra a própria revolução de Abril que acabaria por enveredar por outros caminhos mas também a música popular portuguesa e também pelas suas outras músicas, de que são exemplo as suas baladas.

Em 1994 é feita um CD duplo em homenagem a José Afonso a que se chamou "Filhos da Madrugada Cantam José Afonso"[4]. No fim de Junho seguinte, muitas das bandas portuguesas que integraram o projecto, participaram num concerto que teve lugar no então Estádio José de Alvalade, antecessor do actual Estádio Alvalade XXI.

Em 24 de Abril de 1994 a CeDeCe-Companhia de Dança Contemporanea, estreia no Teatro S. Luiz em Lisboa o Bailado Dançar Zeca Afonso com música de José Afonso e coreografia de António Rodrigues, uma encomenda Lisboa94-Capital Europeia da Cultura.


Letra da música

Amigo

Maior que o pensamento

Por essa estrada amigo vem

Não percas tempo que o vento

É meu amigo também

Em terras

Em todas as fronteiras

Seja benvindo quem vier por bem

Se alguém houver que não queira

Trá-lo contigo também

Aqueles

Aqueles que ficaram

(Em toda a parte todo o mundo tem)

Em sonhos me visitaram

Traz outro amigo também

Trás Outro Amigo Também

José Afonso

Composição: José Afonso

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FREUD - "O SONHADOR"







O pai da psicanálise
O homem que levava os sonhos a sério
HUGO COELHO (D.N.)

Sigmund Freud morreu na cama drogado e a sonhar dia 23 de Setembro de 1939. Judeu, refugiara-se em Londres do nazismo alemão "para morrer em liberdade" e rendeu-se ao cancro quando viu começar a II Guerra Mundial. Setenta anos depois, o médico que sentava os doentes no divã para lhes ouvir os segredos continua a dar que pensar

No primeiro dia de Setembro de 1939, quando o mundo entrou na II Guerra Mundial, Sigmund Freud estava em Londres às portas da morte. O velho cientista atacado pelo cancro ouviu pela rádio a notícia da invasão nazi da Polónia e o jornalista proclamar o início da "última de todas as guerras". Freud corrigiu, amargo, o erro: "Da minha última guerra." Três semanas depois, a 23 de Setembro - faz hoje 70 anos -, o médico que abriu a janela sobre o inconsciente morreu na cama, drogado e a sonhar.

O pai da psicanálise refugiara-se na capital inglesa um ano e meio antes. Depois da Alemanha de Hitler ter ocupado a Áustria, o judeu, então com 83 anos, deixou para trás o seu célebre consultório em Viena com a mulher, Marta, e a filha preferida, Ana, para "morrer em liberdade".

Freud era um ateu obcecado com morte. Além de acreditar que aquela serviu de pretexto à invenção da religião, ele encarava o fim da vida como missão digna de admiração.

Essa ideia, junto com a de que os seres humanos são dominados pelo desejo sexual, foi uma das que levaram muitos a considerá-lo um louco. Mas isso não era coisa que o pudesse deixar preocupado.

Freud nasceu em 1856 numa família judaica da Morávia e desde cedo sentiu-se um prodígio. Os pais achavam-no melhor que os irmãos e deram-lhe um quarto só para ele. Ele não desapontou. Em 1873, entrou na Universidade de Viena para estudar medicina. Não estava interessado em curar pessoas mas em compreender os mistérios da natureza - curiosidade que o levou às fronteiras da mente.

Freud criou a psicanálise quando já tinha 40 anos. Mas desde muito antes disso começou a levar os sonhos a sério. O austríaco que deitava os doentes no divã para lhes interpretar os desejos mais secretos acreditava que os sonhos - como antes a hipnose - abriam a porta do inconsciente - a parte submersa da mente, na metáfora do icebergue.

Hoje, como no seu tempo, Freud é amado por uns e desprezado por outros. Mas a sua influência é indiscutível, e ele sabia-o. Em 1909 quando desembarcou em Nova Iorque na primeira viagem aos EUA, disse ao colega Carl Jung: "Eles não sabem, mas estão a trazer a peste."