segunda-feira, 29 de junho de 2009

A CENA DO ÓDIO - Mário Viegas

A Cena do Ódio foi escrita por Almada Negreiros e dedicada a Fernando Pessoa.

Oiçam bem.

Vejam o quanto actual está ...!

Quem dera tivessemos mais Almadas Negreiros, Fernandos Pessoa, Mários Viegas, e tantos... tantos outros que já cá não estão...

Mas ... eu... eu com a minha imaginação sempre a fervilhaaar... posso sempre imaginar o que diriam... sim... o que diriam deste nosso jaaaaaardiiiim im im im... à beira mar plantado.

Mas, também não seria necessário dizer mais que isto - pois o que disseram adapta-se na perfeição à nossa realidade actual.

Só há aqui um senão, meu caro Almada... as mulheres portuguesas estão mais bonitas. Agora... Vestem e cheiram a Dior e a Ives Saint Laurent... Acho que irias gostar ... ou não !!!!

Isa Magalhães

domingo, 28 de junho de 2009

PASSAGEM DAS HORAS - Fernando Pessoa

Mais uma vez Maria Bethânia cantando Fernando Pessoa.

Este poema já foi aqui editado em postes anteriores

A última parte da canção é uma composição de Chico César:


Deus dos sem deuses

Deus do céu sem Deus

Deus dos ateus

Rogo a ti cem vezes

Responde quem és?

Serás Deus ou Deusa?

Que sexo terás?

Mostra teu dedo, tua língua, tua face

Deus dos sem deuses

(Já perceberam porque é que Fernando Pessoa é o meu poeta favorito?

Que génio...!!!)


sábado, 27 de junho de 2009

CÂNTICO NEGRO - declamado por João Villaret

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros de que seria bom que eu os ouvisse .

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços e nunca vou por ali...


A minha glória é esta: Criar desumanidade!

Não acompanhar ninguém.

- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí!

Só vou por onde me levam meus próprios passos...


Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos,

Arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós que me dareis impulsos, ferramentas, machados e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o longe e a miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tectos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou.

É uma onda que se levantou.

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

- Sei que não vou por aí!

José Régio

Que poema extraordinário..!!!! Não acham ?

Algumas notas biográficas

José Régio (1901 - 1969 )

José Régio nasceu em Vila do Conde, norte de Portugal .

José Régio é o seu pseudónimo. Na realidade chamava-se José Maria dos Reis Pereira.

Licenciou-se na Universidade de Coimbra em Filosofia Romântica (1925).

Como escritor dedicou-se ao romance, teatro, poesia e ensaio.

Nas suas obras está sempre patente as problemáticas do conflito entre Deus e o homem, o indivíduo e a sociedade, analisando criticamente as relações humanas e a solidão.

Assim, como podemos verificar no seu poema Cântico Negro, a auto-análise e a introspecção são constantes na sua obra.

A sua poesia, de grande tensão lírica e dramática, apresenta-se frequentemente como uma espécie de diálogo entre níveis diferentes da consciência . A mesma intensidade psicológica, aliada a um sentido de crítica social.

Isa Magalhães

CÂNTICO NEGRO - Maria Bethânia

Para este fim de semana que se adivinha um tanto chuvoso, aqui vai mais um "miminho"...

Espero que ao ouvi-lo gozem tanto quanto eu...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

MANIFESTO ANTI - DANTAS (Proclamado por Mário Viegas)

MANIFESTO ANTI-DANTAS

Algumas notas


Em 1916, José Alamada Negreiros, publica o Manifesto Anti-Dantas. (Almada tinha 23 anos).

Este foi imprimido em 8 páginas, com papel de embrulho.

Apesar de Almada se dirigir a Julio Dantas - expoente máximo das letras portuguesas de então - Não é somente Dantas que ele quer visar -

Com este Manifesto ataca implacavelmente o mundo cultural e artistico vigente. Sendo portanto os valores tradicionais, quer no aspecto cultural, jornalistico e académico que pretendia abalar.

Isa Magalhães

quarta-feira, 24 de junho de 2009

EU AINDA ESTOU TENTANDO

Eu aprendi…

…que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto;

…que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, tem gente que não dá a mínima e jamais conseguirei convencê-las;

…que posso passar anos construindo uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

Eu aprendi…

…que posso usar meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou falando;

…que posso fazer algo em um minuto e ter que responder por isso o resto da vida;

…que por mais que você corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo que cortamos de nosso caminho.

Eu aprendi…

…que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser e devo ter paciência;

…que posso ir além dos limites que eu próprio me coloquei;

…que eu preciso escolher entre controlar meu pensamento ou ser controlado por ele.

Eu aprendi…

…que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem;

…que perdoar exige muita prática;

…que há muita gente que gosta de mim, mas não consegue expressar isso.

Eu aprendi…

…que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar minha vida;

Eu aprendi…

…que eu posso ficar furioso, tendo o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.
Eu aprendi…

…que a palavra “AMOR” perde o sentido, quando usada sem critério;

…que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;

…que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas que eu acredito.

Se aprendessemos algumas coisas, tudo seria mais fácil…
certas coisas realmente eu já aprendi…
outras…
ainda não…
estou tentando…
o que vale é a intenção...

William shakespeare

terça-feira, 23 de junho de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

METADE DE MIM É AMOR. A OUTRA METADE.... TAMBÉM

Para quem não fala português, aqui vai o poema escrito para poderem usar o tradutor que agreguei no meu blog.

Divirtam-se: cantem, leiam, oiçam música e poesia... e... tudo o mais que vos fizer feliz...

METADE

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito, não me tape os ouvidos e a boca

Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza

Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada mesmo que distante

Porque metade de mim é partida mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor

Apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos

Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço

Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância

Por que metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba

E que ninguém a tente complicar

Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer

Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor

E a outra metade também.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MAIS UMA ODE AO GATO

Lara e Ramsés II (2 irmãos) Isa - 2008

Sheeba e filhote Ramsés II (Isa - 2008)


Sheeba e filhote Ramsés II (Isa - 2008)


Sheeba com mais um filhote (Isa 2008)
Nada é mais incômodo para a arrogância humana
que o silencioso bastar-se dos gatos.
O só pedir a quem amam.
O só amar a quem os merece.
O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência.
O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis. (...)
“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade
e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade.
O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor.
Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.
Sábio, é esperto.
O gato é zen. O gato é Tao.
Conhece o segredo da não-ação que não é inação.
Nada pede a quem não o quer.
Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar.
Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.

O gato não pede amor.
Nem dele depende.
Mas, quando o sente, é capaz de amar muito.
Discretamente, porém, sem derramar-se.
O gato é um italiano educado na Inglaterra.
Sente como um italiano,
mas se comporta como um lorde inglês. (...)

Poema de Artur da Távola

quinta-feira, 18 de junho de 2009

COMEÇO A CONHECER-ME

Isa 18-06-09

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos
no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Fernando Pessoa

sábado, 13 de junho de 2009

A PALAVRA

Isa (12-06-09)
Estou a ler um livro de Pablo Neruda que tem como título "Confesso que Vivi".
Tal como o titulo sugere, trata-se da sua autobiografia.
Estou deliciada com a leitura deste livro... Todo ele é poesia...!
sugiro vivamente que o leiam.
Para vos aguçar o apetite quero aqui escrever um pequeno trecho deste livro:
A Palavra
São as palavras que cantam, que sobem e descem...
Prosterno-me diante delas...
Amo-as, abraço-as, persigo-as, mordo-as...
Amo tanto as palavras...
As inesperadas...
As que glutonamente se amontoam, se espreitam, até que de súbito caem...
Vocábulos amados...
Brilham como pedras de cores, saltam como irisados peixes, são espuma, fio, metal, orvalho...
Persigo algumas palavras...
São tão belas que quero pô-las a todas no meu poema...
Agarro-as em voo, quando andam a adejar, e caço-as, limpo-as, descasco-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como àgatas, como azeitonas...
E então revolvo-as, agito-as, bebo-as, trago-as, trituro-as, alindo-as...
Deixo-as como estalactites no meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes das ondas...
Tudo está na palavra...
Uma ideia inteira altera-se porque uma palavra mudou de lugar, ou porque outra se sentou como um reizinho dentro de uma frase que não a esperava, mas que lhe obedeceu...
Elas têm sombra, transparência, peso, penas, pêlos, têm de tudo quanto se lhes foi agregando de tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto serem raízes...
São antiquíssimas e recentíssimas...
Vivem no féretro escondido e na flor que desponta...
Que bom idioma o meu, que boa lingua herdámos dos torvos conquistadores...
Andavam a passo largo pelas tremendas cordilheiras, pelas américas encrespadas, em busca de batatas, chouriço, feijões, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele voraz apetite que nunca mais se viu no mundo...
Tudo engoliam, juntamente com as religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que traziam nas grandes bolsas...
Por onde passavam ficava arrasada a terra...
Mas aos bárbaros caíam das botas, das barbas, dos elmos, das ferraduras, como pedrinhas, as palavras luminosas que ficaram aqui, resplandecentes...
O idioma.
Ficámos a perder...
Ficámos a ganhar...
Levaram o ouro e deixaram-nos o ouro...
Levaram tudo e deixaram-nos tudo...
Deixaram-nos as palavras.
Já leram algo mais belo acerca das palavras ??? Pois eu, eu.. Não tenho palvras... só emoções...
Isa

quarta-feira, 10 de junho de 2009

NÃO SOU NADA

Uma foto daquela que nada é ....(Isa 10-06-09)
DESENCONTRO
Não sou nada Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Estou hoje vencido, como soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido,
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário como um cão tolerado pela gerência por ser inofensivo.
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Fernando Pessoa

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Livro do desassossego

Isa - 08-06-09


Invejo — mas não sei se invejo — aqueles de quem se
pode escrever uma biografia, ou que podem escrever a própria.
Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo, narro
indiferentemente a minha autobiografia sem fatos, a minha
história sem vida. São as minhas Confissões, e, se nelas
nada digo, é que nada tenho que dizer
.

É desta forma que F. Pessoa começa a sua "biografia" - livro do Desassossego -

Que génio...! Que imperador das palavras...! Não acham?



Poesia

Isa 08-06-09
Mais um poema de Pablo Neruda

Abelha branca zumbe ébria de mel em minha alma
e te estorces em lentas espirais de fumaça.
Sou o desesperado, a palavra sem ecos,
o que perdeu tudo, e o que tudo esvai.
Última amarra, ruído em ti minha ansiedade última.
Em mim gritas deserta e é tua a última rosa.
Ah silenciosa!
Fecha teus olhos profundos. Ali tange a noite.
Ah nua, teu corpo de estatua temerosa.
Tens olhos profundos de onde a noite se faz.
Frescos braços de flor e regaço de rosa.
Se parecem teus sonhos como brancos caracóis.
Veio a dormir em teu ventre uma mariposa da sombra.
Ah silenciosa!
Aqui se fez a solidão de onde estava ausente.
Chove. O vento do mar caça errantes gaivotas.
A água anda descalça pelas ruas molhadas.
Daquela árvore se queixam, como enfermas, as folhas.
Abelha branca, ausente, zumbindo em minha alma.
Renasce entre o tempo, delgada e silenciosa.
Ah silenciosa!
Autor : Pablo Neruda
Obra: 20 poemas de amor e uma canção desesperada

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Mais uma bela mulher

Minha cunhada (Isa 31-05-09)

O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta. Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma. Enfim, o homem está colocado onde termina a terra; a mulher, onde começa o céu.

Victor Hugo